Talento e carisma de Dona Onete conquistam o Canto 2016

Déborah Gouthier

A rainha do Pará estendeu seu reinado até o cerrado goiano e chegou ao Canto da Primavera mostrando todo o seu carisma e talento. Dona Onete, cantora e compositora paraense, é a última atração do festival na noite deste sábado (29), mas já encantou o público desde a manhã, quando participou de uma roda de conversa conduzida por seu produtor Geraldinho Magalhães, no Teatro Sebastião Pompeu de Pina.

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Rafaella Pessoa

Os dois falaram sobre a trajetória de Dona Onete, que foi professora de história durante 25 anos e só começou a carreira musical profissionalmente depois de idosa. Confiante, ela afirmou para o público que isso não é um problema e encorajou idosos e jovens a acreditarem nos seus talentos e buscarem oportunidades para tentar a sorte como artistas.

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Rafaela Pessoa

Mas não foi só por acaso ou sorte que ela, hoje com 76 anos, chegou aonde chegou. Com dois discos gravados, turnês mundiais e fãs nos quatro cantos do Brasil, Dona Onete é compositora de mais de 300 canções e a criadora do carimbó chamegado, inspirando artistas e difundindo a cultura paraense através da música.

Eles contaram que durante a mais recente turnê dessa cabocla marajoara pelos Estados Unidos, o baterista Bernard Purdie, produtor de nomes como Aretha Franklin, afirmou que a paraense é dona de uma “golden voice” (voz de ouro).

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Rafaella Pessoa

Segundo Geraldinho, apesar de nato, esse talento não se faz sozinho, pois a cantora soube também se cercar de músicos de alta qualidade, como o guitarrista e grande pesquisador Pio Lobato, que geram conforto e garantem tratamento artístico e musical às apresentações de Dona Onete. 

É essa qualidade que o público vai poder conferir nesta noite, em canções que cantam a cultura do Estado do Pará – falando dos hábitos, das histórias e da culinária local. “Algumas vezes é a moldura que valoriza a foto e é isso que eu venho fazendo com o Pará: vou colocando nossa cultura em uma moldura”, explicou a cantora.

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Rafaella Pessoa

Entretanto, o produtor faz questão de frisar que suas canções não falam só das belezas da cultura paranese, mas também dos problemas e de outras questões que podem até trazer algum desconforto e, ainda assim, ganham um viés espetacular dentro do imaginário criado por Dona Onete, onde residem juntos o pato no tucupi, o namoro do urubu com a garça, o chamego, o jambu, a sensualidade e até o pitiú.

Com o repertório do último disco, Banzeiro, e algumas das canções que ela vem tocando nos últimos anos, o público pode se preparar para tremer com o jambu da voz de Dona Onete, que vem bem acompanhada para o Canto 2016 em uma noite de muita dança e sensualidade, com a participação especial do pernambucano Otto.


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