Roda de conversa com MMF Latam reforça importância das redes na produção musical

Déborah Gouthier

A importância da produção cultural em redes e das conexões para o fortalecimento da música na América Latina foi tema da primeira roda de conversa da 17ª edição do Canto da Primavera. Conduzido por membros da Associação Latino-Americana de Managers Musicais (MMF Latam), o bate-papo também teve a participação do público e de integrantes do grupo Bongar, que se apresenta no festival na noite desta sexta-feira (28).

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Delcio Gonçalves

A roda de conversa recebeu a presença de Hernan Halak, produtor da MundoGiras, na Argentina, e de Felipe França e Paula Rocha, produtores e sócios da Arueira Expressões Brasileiras e do núcleo de integração cultural Difusa Fronteira. Os três são responsáveis pela produção musical de vários artistas, entre eles Babel Orkesta e Academia da Berlinda – que se apresentam no Canto 2016 -, e integrantes da MMF Latam.

Parceira do Canto da Primavera 2016, a MMF Latam é uma rede de produtores musicais que tem como foco o fortalecimento da indústria musical na América Latina e congrega, atualmente, 16 países e mais de 60 profissionais.

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A participação do vocalista Guitinho da Xambá e de Marileide Alves, ambos produtores do Bongar, reforçou e exemplificou algumas das propostas debatidas pela MMF Latam. Eles relataram a trajetória do grupo e alguns dos desafios em trabalhar com música e cultura popular. Segundo eles, o Bongar é um grupo que escolheu viver de música, mas que isso ainda é um desafio no Brasil, pois implica em um verdadeiro processo de resistência e de busca por alternativas de sobrevivência.

Delcio Gonçalves

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Os debatedores também falaram sobre a importância de circular com a música, dentro e fora do país, gerando reconhecimento externo, mas também o da própria comunidade onde a produção musical teve origem, e estimulando o diálogo, enquanto elementos de politização e formação de público. As parcerias promovidas pela MMF Latam, por exemplo, permitem essa experiência e podem funcionar como uma oportunidade em momentos de crise, encontrando soluções por meio de uma economia criativa e colaborativa.

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Delcio Gonçalves

A ideia fundamental defendida pelo grupo foi no sentido da existência de um intercâmbio cultural latino americano, com base nas conexões, na formação de redes e em encontros que funcionem como vias de mão dupla, onde todos os lados contribuam e ganhem de igual maneira, encontrando caminhos para que bandas, produtores e demais artistas possam crescer juntos.

“Sem redes e conexões, a gente não vai conseguir trabalhar com música, que é o que a gente quer. É preciso fortalecer essas conexões para que isso seja possível. A gente não pode parar nunca”, concluiu Marileide, completando que é importante nunca parar e sempre se reinventar, mas mantendo a essência do que se quer ser artisticamente.


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